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Itapira, 28 de Fevereiro de 2024 -
25/08/2022
Luiz Santos: A seara é grande

O Senhor Jesus nos ensinou a orar, interceder pelo trabalho que deve ser realizado na seara, a extensão da terra cultivada pelo Senhor, isto é, os eleitos destinados à salvação mediante a pregação do evangelho espalhados pelos quatro cantos do planeta. Para que a colheita seja possível, o dono da seara, a saber, o próprio Deus, deseja que muitos trabalhadores sejam enviados. A grande extensão de terra cultivada e o volume da colheita demandam muitos operários e uma multiplicidade de dons, saberes e talentos para que nada se perca. Mas, é interessante notar que no texto grego aparece um eufemismo no que diz respeito a enviar. Na verdade, a palavra original fala em forçar, aprisionar, levar cativo trabalhadores para a seara. Isto tem implicações razoavelmente sérias para o povo de Deus. Em primeiro lugar, podemos ver aqui o pano de fundo da recalcitrância de Jonas, um missionário que não aceitou e não quis em primeiro plano obedecer à sua chamada e menos ainda, servir de sinal da graça e misericórdia de Deus para os ninivitas. Foi forçado a ir, como que contrariado, após o episódio do grande peixe (Jn 1). Em segundo, nos recordamos de Israel e o período do cativeiro babilônico e tantas outras circunstâncias da disciplina do Senhor e por quê? Porque Israel se recusava a ser luz para as nações. Ora se agarrando ao seu privilégio de maneira exclusivista, ora renunciando a sua missão e se deixando capitular pela religião dos povos pagãos, destinatários da sua missão. A restauração pós-exílio exigia que Israel se comprometesse com a Aliança e se consagrasse a espelhar e espraiar a glória de Deus entre as nações (Jr, Is, Ml, Mq, Zc). Terceiro, sem ser exaustivo apenas para fins didáticos, vem à mente a perseguição que resultou na diáspora da igreja apostólica, que se viu forçada a deixar a sua zona de conforto em Jerusalém e se dirigir aos gentios proclamando as Boas Novas do Reino e cumprindo assim, a comissão recebida (At 8). Sem falar nos ecos paulinos: ‘O amor de Cristo nos constrange’ (2 Co 5.14) e ‘ai de mim se eu não evangelizar’ (1 Co 9.16). Assim, não é difícil enxergar na história da igreja que toda vez que ela não obedeceu em missões, não se dirigiu voluntariamente ao encontro das nações, Deus moveu as peças do xadrez da história, da política ou das forças da natureza e empurrou os povos e as nações ao encontro, nem sempre pacífico, com a igreja ou levou a igreja a sair e enfrentar os seus medos. Aconteceu com os bárbaros, vândalos, vikings e outros. Enquanto pilhavam e arrasavam a Europa e consequentemente a igreja, foram alcançados pelo testemunho e pelo anúncio de Jesus Cristo em meio aos mais inclementes sofrimentos que causavam (Séc V-VII). É possível, então, compreender o que significa ser levado prisioneiro para a seara. A igreja deve orar pedindo um número cada vez maior desses trabalhadores e deve orar também pedindo que o Senhor lhe dê oportunidades tais em que só o Evangelho em suas muitas manifestações poderá trazer coerência, descanso e esperança ao coração do mundo (Cl 4.3). Claro, não devemos pedir por infortúnios, mas que estejamos sempre preparados (1 Pe 3. 15-16), a qualquer tempo ou circunstância, a fim de proclamar Jesus e oferecer um preclaro testemunho do seu amor por meio das boas obras. Desejo que todos levemos como as principais lições dessa pastoral o seguinte: 1. Ser um discípulo-missionário não é uma opção para o crente. Envolver-se com a obra da evangelização não é uma questão de escolha dentre muitos afazeres na igreja e muito menos, um apêndice de luxo para o crente. Trabalhar na seara é nosso privilégio e dever. Lançar as sementes e ceifar é o motivo pelo qual existimos, é o que justifica o nosso ‘ser igreja’. Por meio das missões o número dos adoradores se completa e o louvor de Deus se incrementa. 2. As missões, a obra da evangelização não se realizarão, não a contento, sem que a oração faça parte inerente do ‘ide’, do ministério ordinário da igreja, a fim de que ela realize coisas extraordinárias. Sem oração não há poder, discernimento energia e obediência que sejam suficientes para que haja excelência nos resultados desejados. 3. O ministério não é tarefa para um só, para poucos ou um grupo seleto, profissional. Absolutamente. Na seara há trabalho para todos os discípulos sem exceção. Todos são necessários e todos são imprescindíveis. Nem todos poderão fazer tudo e todas as funções, mas cada dom, talento, saber, treinamento e especialização será requerido. O ministério de intercessão, a pregação expositiva, a educação cristã, a produção de conteúdo e material didático e de evangelização, a contribuição, a administração dos recursos, a elaboração de projetos, tudo, todas as coisas, deverão ser consagradas e empenhadas nessa empreitada da evangelização, para que todos os povos o adorem. Encerrando o mês missionário saiba que você não está dispensado da seara, saiba que você não é inútil e mesmo as suas limitações e sofrimentos (Fp 1.29) são meios pelos quais você está sendo ‘forçado’ a cooperar com o Senhor da seara, até que ele volte.

Reverendo Luiz Fernando é Ministro Presbiteriano e professor de Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul. 



Fonte: Luiz Santos

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