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Itapira, 17 de Agosto de 2022 -
27/06/2022
Luiz Santos: Uns plantam, outros colhem

Há uma citação bíblica que declara o seguinte: “Pois o que o homem semear, isso também colherá” (Gálatas 6.7). Dentre outras coisas essa palavra revela a bondade e a justiça de Deus ao mesmo tempo. Bondade porque o homem pode escolher a semente com a qual há de semear o campo da sua vida. Justiça, porque ninguém vai colher fruto diferente do que semeou, ou seja, não haverá surpresas. Na dinâmica da vida da igreja é a mesma coisa, temos alguma liberdade para escolher as coisas secundárias e circunstanciais que ditarão o ritmo da nossa vida comunitária e mesmo da nossa missão. Essas coisas secundárias ou circunstanciais dizem respeito ao estilo de culto, se mais litúrgico ou mais informal, no sentido de ser mais contemporâneo em sua linguagem e manifestação cultural. O tipo de música, a arquitetura, a comunicação visual etc. Também são secundárias e circunstanciais a existência ou não dos departamentos internos e dos ministérios, como o de casais, ministério ou departamento feminino e por aí vai. Essas realidades secundárias ou circunstanciais, ainda que não sejam necessariamente neutras, não fazem essencial diferença no cumprimento da missão da igreja. Todavia, se a própria comunidade der a essas realidades uma importância desmedida, a sua engrenagem, bem como a burocracia, a política eclesiástica e as possibilidades de poder que apresentam, podem e invariavelmente criam, entraves e dificuldades igualmente desnecessários. Se bem usadas e bem administradas, dentro e a partir do que é o essencial para a igreja cumprir a sua missão, então, tendem a se tornar uma bênção. A igreja existe não para si mesma. Logo, todo o processo de edificação dos santos deve ser entendido igualmente como um processo de expansão do número desses santos. A igreja nunca deveria investir a maior e a melhor parte do seu tempo e recurso na administração e justificativa da existência de seus departamentos e ministérios. Como disse acima, se bem administrados, esses departamentos e ministérios podem concorrer de maneira abençoadora na formação espiritual e moral dos crentes. Entretanto, a igreja existe para aquilo que está ao seu redor e, portanto, fora dela. Ela não é nem periférica e não pode ser um penduricalho no mundo. Antes, ela está no centro da criação e a sua razão de ser como realização histórica é colocar-se a serviço do mundo no anúncio do Evangelho, no testemunho de Cristo e a na implantação dos inegociáveis valores do Reino de Deus. A igreja existe para os de fora, para alcançar os perdidos e em buscar do que está extraviado ou aprisionado nas periferias existenciais desse mundo caído. Tudo o que ela faz para dentro de si, todas as suas programações, as suas reuniões devem ter em vista esta sua missão. Assim, a comunidade se organiza a fim de preparar os santos para viverem este estado permanente de missão no mundo. Esse processo, chamado discipulado, deve levar o membro a tornar-se conscientemente responsável de ser um missionário em seu contexto de atuação e abrangência. As reuniões da igreja, os estudos, os tempos de oração, os momentos devocionais e o próprio culto em si, devem formar nos cristãos um comportamento intencional para fazer Cristo conhecido, amado, desejado e servido. Para que a igreja seja capaz de cumprir a sua missão, ela precisa escolher bem as áreas nas quais deverá investir, isto é, o que deverá semear no solo de sua vida ministerial. Para que a colheita seja abundante, constante e sempre crescente, a igreja deverá investir primeiro em oração. As reuniões de oração ocupam um lugar e uma função mais que estratégica, diria, imprescindível se a comunidade deseja de fato fortalecer-se e crescer. Sem oração, a máquina religiosa, a instituição, a organização, poderá fazer uma ou outra coisa louvável, jamais fará mais e nem mesmo o que de fato precisa fazer, até que tenha orado numa vida de intensa oração. É a oração que empodera a igreja, dá a direção, suscita os obreiros, sensibiliza os que podem contribuir e abre as portas para que o Evangelho seja acolhido. Nesses dias em precisamos de poder, as reuniões online de oração, tão oportunas em tempos mais recrudescidos da pandemia, começam a ser um problema. Quem não se dispõe a movimentar-se para uma reunião pública e presencial de oração, dificilmente se movimentará para pregar o Evangelho, andar pelas ruas, ir ao encontro dos necessitados e estender a mão ao pecador. Um outro investimento que dever ser feito é no púlpito. A Palavra precisa ser pregada, explicada e aplicada com fidelidade, graça, poder e com a convicção de que produzirá frutos. O púlpito deve ser bíblico, doutrinário e formador do caráter e da ética do povo santo. Precisamos investir e escolher ministros santos, sábios, ‘ovelheiros’ e que instruam o povo a fim de que se torne efetiva e afetivamente participante na missão de Deus no mundo. Sem a dispensação da Palavra de Deus com fidelidade, qualidade e dependência do Espírito Santo, nenhuma atividade da igreja fará jus à sua condição e natureza. Outro investimento ou semeadura, e paro por aqui, é fazer com que a igreja se conscientize de que todos os dias deverá lançar as suas redes em águas mais profundas (Lc 5.4), nunca se acostumar com uma agenda ensimesmada e centrípeta. Ela deve olhar em direção do mundo, levantar os olhos e admirar-se de que os campos estejam brancos, prontos para a colheita.

Reverendo Luiz Fernando Dos Santos é Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil.



Fonte: Luiz Santos

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