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Itapira, 25 de Janeiro de 2022 -
04/01/2022
Luiz Santos: O Batismo do Senhor

No próximo domingo encerramos o tempo litúrgico do Natal com a festa do Batismo do Senhor. O calendário cristão dá um salto no tempo no que diz respeito à vida terrena de Jesus, exatamente porque os Evangelhos não cobrem e pouco ou quase nada relatam da vida ordinária de Jesus em Nazaré, dos 12 aos 30 anos. Assim, para completar o ciclo das celebrações que estão diretamente ligadas ao Natal, o calendário nos traz à comemoração o dia em que o Senhor deu início à sua vida pública, começando assim o seu ministério entre os homens. Jesus se apresenta no rio Jordão para ser batizado por João, seu primo, filho de Zacarias e Isabel, essa, prima de Maria. João Batista reunia em sua pessoa dois dos três ofícios do Antigo Testamento. Segundo a sua linhagem, da tribo de Levi, do turno de Abiatar, era filho de Zacarias que chegou a ser sumo sacerdote. Deveria ter tomado o seu lugar neste ofício sacratíssimo. Contudo, uma manobra obscura de Anás e Caifás impediram que isso acontecesse. Entretanto, Deus tinha maior e melhor vocação para João, seria esse o último dos profetas do Antigo Testamento e o único a ver com os seus próprios olhos a realização da promessa do Messias e ainda, o único dos profetas a indicá-lo sem os véus e as sombras das revelações veterotestamentárias. Os dois ofícios presentes na pessoa de João Batista foram incorporados por Cristo, que já nascera com um dos ofícios da antiga dispensação, era o rei prometido descendente de Davi. Assim, os três ofícios antes separados por classe de homens e vocações são definitivamente substituídos e incorporados ao ministério de Jesus em seu tríplice múnus de verdadeiro profeta, o sacerdote perfeitíssimo e o rei sublime de Israel. O batismo de Jesus, além de ser um elemento pelo qual Cristo cumpriria toda a justiça e nada ficaria devendo às exigências legais e morais do Antigo Testamento, ainda serviu como ocasião para que o Pai o declarasse, sob a ‘sombra’ do Espírito Santo, que Jesus era o seu Filho amado, o Filho da sua alegria e que todos deviam reconhecê-lo e, a exemplo de João Batista, humildemente reverenciá-lo. João ao apontar Jesus aos homens, o apresentou como o ‘Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo’. Cordeiro cujo sacrifício seria definitivo e suficiente e que lavaria em seu sangue toda a sujidade da iniquidade e da injustiça presente nos corações que nele cressem. Assim, a festa do Batismo do Senhor inaugura o ministério de Jesus que o começa de onde João havia parado, ou seja, instando os homens ao arrependimento e a aceitarem o convite gracioso do Pai para que entrassem em seu Reino que era chegante entre eles em sua pessoa bendita. João, apontou para Jesus. O Espírito, apontou para Jesus. O Pai apontou e declarou que o seu amor estaria com e em Jesus. Não restam mais dúvidas, os Evangelhos não perdem tempo introduzindo Jesus, construindo uma ‘persona’ para ele, de modo que venhamos a deduzir que ele é diferente, um ser iluminado, com perfeições e virtudes que nos fazem concluir que ele é Deus. Absolutamente. Os Evangelhos já começam declarando a sua divindade desde a eternidade, ‘No princípio era o Verbo...’ (Jo 1.1), que já antes da concepção virginal o ente a ser gerado era divino (Lc 1.35) e uma vez vindo à luz em nossa humanidade, os anjos no céu se alegraram e os homens na terra o adoraram (Mt 2.11). Logo, no início de sua vida pública, para que ninguém duvidasse de sua identidade, a sua divindade é logo proclamada, bem como a sua missão: anunciar a chegada do Reino de seu Pai e chamar os pecadores para nele entrar. A festa do Batismo do Senhor deve produzir algumas reflexões em nossa comunidade de fé. A primeira delas é se temos sido tão assertivos e diretos como João Batista. Se temos desviado a atenção de nós mesmos, para as coisas que fazemos, para o nosso ministério e se estamos comprometidos em apontar clara e decididamente para Jesus. Hoje, como o advento das redes sociais, todo mundo deseja os seus quinze minutos de fama. Quase não é mais possível fazer qualquer atividade evangelística, missionária, social sem que haja uma certa promoção do evento e uma sessão de fotos. Claro, sei que também na igreja a ‘propaganda é a alma do negócio’, pode ser um jeito de desafiar outros a se unirem ao nosso trabalho. Mas, o perigo de autojustificação e de autopromoção existe de verdade. Depois, como igreja temos construído uma agenda de eventos e programas cuja intenção, métodos e o escopo final outra coisa não faz senão chamar os homens e as mulheres do nosso tempo para o arrependimento, revelar e declarar a inigualável pessoa de Jesus como o único e suficiente Salvador? Aquilo que não é feito com o senso de urgência em face desse Reino chegante entre os homens e que não declara abertamente Cristo, não deveria sequer ser cogitado pela igreja. O Batismo do Senhor lembra a comunidade dos discípulos que ela não tem o direito de estabelecer para si uma agenda diferente de João, do Pai e do Espírito ou do próprio Jesus. Devemos fazer tudo para que todos olhem para Jesus Cristo, autor e consumador da nossa fé e para mais ninguém.

Reverendo Luiz Fernando Dos Santos é Ministro Presbiteriano em Itapira.



Fonte: Luiz Santos

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