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Itapira, 25 de Janeiro de 2022 -
02/01/2022
Luiz Santos: Fazer diferente para fazer o novo

Certa vez um repórter perguntou ao falecido “Dr. Sócrates”, jogador do Corinthians e da seleção brasileira, um craque, diga-se, ‘Por que os jogadores dão sempre respostas muito parecidas? O ‘Doutor’ respondeu: ‘Não seria porque os repórteres fazem sempre as mesmas perguntas?’ Mutatis mutandis talvez a mesma coisa aconteça com os nossos votos e desejos de ano novo. Queremos que tudo seja novo enquanto continuamos fazendo as mesmas coisas de sempre. Não é lá muito inteligente esperar resultados diferentes sem mudar a equação, o método e o jeito de se fazer as coisas. A mudança mais necessária é exatamente aquela que menos desejamos, isto é, mudar a nós mesmos. Tudo na vida começa com o nosso relacionamento com Deus. Desse relacionamento depende toda a dinâmica da nossa existência, é o que dá consistência e coerência para tudo o que somos e fazemos. Mas, se tem alguma coisa que precisa de uma reconfiguração, de uma repaginação, de se fazer de maneira nova, essa coisa é a nossa vida com Deus. Muitos de nós há muito tempo tem andado no modo automático quando se trata de vida devocional. De uma maneira que não sei exatamente explicar, aprendemos a conviver com a presença de Deus sem nos ‘incomodar’ com ela. Nossas devocionais já não nos emocionam. Já não perdemos a respiração quando ouvimos uma promessa de Deus no Evangelho e já não nos emocionamos quando cantamos os seus louvores. Há muito tempo já não ficamos deslumbrados com as perfeições de seus atributos, com a beleza de sua santidade e nem mais nos surpreendemos com a sua graça. Em nossa apatia, conseguimos ‘domesticar’ a santa presença e esvaziamos a glória de Deus em nossa vida. De repente, essa apatia, este ‘mornidão espiritual’ nos tornou míopes para as grandezas do Senhor e a vida ficou um tanto, literalmente, sem graça. Se quisermos recuperar uma visão clara e mais aprofundada da vida e o seu sentido mais apurado, precisamos recuperar a nossa vida devocional. Precisamos encontrar um novo ardor, um renovado entusiasmo, novas práticas devocionais, ainda que o conteúdo seja sempre o mesmo, a Bíblia e o objeto da devoção, o Senhor. Essa relação com Deus é determinante para alterar a perspectiva da realidade em nosso redor. Outra mudança necessária tem a ver como nos enxergamos. Aqui, é preciso um ‘solilóquio’ franco e aberto com a nossa alma. Precisamos alterar o foco das nossas preocupações conosco mesmo. Estamos de alguma maneira ‘alterados’ em nossa percepção, estamos como que embriagados de autojustificação, dopados de autocomiseração e por isso mesmo perdemos a proporção e a simetria das coisas e das pessoas em nosso redor. Não por nada sofremos tanto da síndrome de vitimização e andamos tão frustrados com as pessoas. Temos um juízo desmedido de quem realmente somos e por isso nos tornamos tão criticamente ácidos com as pessoas. Colocamos padrões irreais e ilusórios para que os outros atinjam ‘os sarrafos’ da nossa perfeição, se querem nos agradar. E, como nunca conseguem, nos sentimos vazios, frustrados, carentes e claro, amargos com tudo e com todos. Precisamos alterar essa autopercepção, temos que encarar a nossa realidade e nos redescobrir limitados, falíveis, tão humanos como os outros, tão carentes quanto todos e reaprender a rir de nós mesmos e de nossos fracassos e imperfeições. Parece estranho, mas para apreciar o melhor que está no mundo, devemos aceitar o que de pior há em nós e confiar na suficiência da graça e no laborioso amor Deus, que lentamente vai nos moldando segundo a imagem que Ele quer esculpir em nós e não aquela que desejamos modelar a partir do nosso coração egocentrado. Quando o nosso relacionamento com Deus está aquecido e a nossa devoção por Ele nos enche de gozo, quando reencontramos a nossa humanidade, nos despindo dos estereótipos de perfeição que adquirimos na tentativa de ser o que não somos, comprando o que não podemos, para impressionar pessoas que não conhecemos, o próximo passo para alcançar o novo é ir em direção do próximo. O novo se faz com a derrubada dos muros que levantamos em nosso orgulho e a reconstrução de pontes que derrubamos com a violência de nossa presunção, de nossa pretensa autossuficiência. A nossa relação morna com Deus e egocentrada nos faz perder o tato, a gentileza, a polidez, a caridade e passamos a agir com aspereza, brutalidade e assim, machucamos e afastamos as pessoas ao nosso redor. Cultivar relacionamentos marcados pelo amor, amizades com o fundamento da sinceridade e conviver com os outros promovendo a paz, cria um ambiente novo, favorável e ameno para sonhar, para projetar, para realizar, para construir coisas novas, nunca vistas e nem vividas antes. Mais do que ser diferente, faça a diferença em 2022 e você verá quanto do ‘Novo’ baterá às portas da sua vida. Feliz ano novo. Abençoado 2022.

Reverendo Luiz Fernando Dos Santos é pastor na Igreja Presbiteriana Central de Itapira



Fonte: Luiz Santos

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