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Itapira, 05 de Dezembro de 2019 -
12/11/2019
Luiz Santos: Cristianismo Reformado Experiencial

O Cristianismo no entendimento Reformado, isto é, aquele emergido dos ventos da Reforma Protestante, muitas vezes é acusado de ser um cristianismo frio, cerebral, intelectualizado e por isso mesmo sem vida e sem graça. Alguns chegam mesmo a afirmar que os Reformados, e aqui você pode ler os Presbiterianos, não possuem o Espírito Santo. Evidentemente que o perigo de uma ortodoxia fossilizada sempre rondou e ainda ronda esse ramo da Igreja Cristã. Não poucas vezes, de fato, uma redução da experiência religiosa ao dogmatismo, ao conhecimento simples e ao mesmo tempo cheio de tecnicalidade da fé provocou certa frieza nos discípulos com a errônea concepção de que conhecer é tudo o que precisamos em nossa vida com Deus. Por isso nossos cultos solenes, soleníssimos, às vezes se parecem mais com uma magistral palestra, uma aula magna em um campus universitário ou uma sessão solene de uma câmara municipal, por exemplo. Mas, na verdade, isso é uma distorção da verdadeira espiritualidade cristã reformada. Em nossa maneira de entender as coisas não ignoramos o fato de que Deus quer falar aos nossos corações e tocar a nossa alma e aquecer a nossa vontade. Entretanto, entendemos que antes disso Deus quer falar às nossas mentes, o Senhor deseja que nós o conheçamos como seres racionais que somos, que conheçamos intelectualmente algo de seus atributos maravilhosos, a maneira como Ele age e de maneira especial que entendamos o Evangelho. Nossa fé busca a inteligência. Embora não compreendamos para crer, é verdade que cremos para compreender. O fato de buscarmos o conhecimento de Deus, de valorizarmos as conquistas teológicas do passado e continuar com diligência estudando hoje em dia, essa realidade não esgota e nem traduz de maneira cabal a nossa vivência cristã. Estamos abertos e na verdade desejamos emoções espirituais, sentimentos santificados, afetos piedosos e verdadeiro encantamento em nossa adoração pública. Também buscamos e sentimos o agir do Espírito Santo afervorando o nosso desejo por Cristo, sentimos a alma queimar, eventualmente lágrimas podem rolar e até mesmo podemos, sem impedimento ou constrangimentos, glorificar a Deus de maneira espontânea. A diferença é que não buscamos em primeiro lugar a experiência. Não nos damos por satisfeitos somente por sentir algo no culto, absolutamente. Queremos além da experiência uma verdadeira relação pessoal com as “benditas pessoas” da Trindade. Desejamos conhecê-las exatamente como se revelaram nas Escrituras, porque essa revelação é autorizada, veraz, inerrante e suficiente para a salvação e eficiente para a santificação. Por isso damos tanta importância ao estudo da doutrina, da Teologia, da história e etc. Porque não nos satisfazemos com experiências que se diluem e desaparecem com o fim do ajuntamento solene, queremos mais, queremos a intimidade de Deus em sua revelação, de modo que cresçamos na graça e no conhecimento deste Deus maravilhoso. Aliás, o propósito mais nobre da verdadeira Teologia é a Doxologia, isto é, colocar o homem de joelhos em estado de adoração, louvor, encantamento, amor e submissão. Que em cada culto a presença Santa nos leve às lágrimas, aqueça a nossa alma, nos faça sentir e gozar o céu, mas porque as razões estão bem firmadas, porque sabemos exatamente a causa da nossa alegria e não porque fomos simplesmente provocados a sentir seja pelas melodias, pela indução ou sugestão de um homem mais afetado ou pelo ambiente. Mas pelo fato de a verdade brilhar em nossas mentes e colocar fogo em nosso coração.

Rev. Luiz Fernando Dos Santo é Ministro da Palavra na Igreja Presbiteriana Central de Itapira



Fonte: Luiz Santos

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