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Itapira, 18 de Novembro de 2019 -
22/10/2019
Luiz Santos: Reformar sempre para não deformar definitivamente!

 



O título desta minha pastoral é uma outra maneira de dizer: “Igreja Reformada Sempre Se Reformando”, um dos muitos conhecidos brados da Reforma Protestante de 1517. No dia trinta e um de outubro vamos celebrar os quinhentos e dois anos dessa obra do Espírito Santo no seio da Igreja Cristã. Na Igreja Presbiteriana Central de Itapira vamos comemorar essa efeméride no domingo vinte e sete de outubro, em culto solene, às dezenove horas, por ser esse o domingo mais próximo da data correta e para facilitar a participação de um maior número de irmãos. De fato, a Reforma deveria ser um aspecto inerente à vida da Igreja, pois, a cada geração de crentes ela é sempre tentada a acrisolar tradições humanas ou recepcionar em seu culto, ensino e maneira de viver aspectos alienígenas à Palavra de Deus ou que a afrontam e desobedeçam. De vez em quando, em certo sentido, a Igreja precisa desclesiologizar-se, para voltar a ser Igreja, povo de Deus, comunidade dos discípulos, videira, rebanho, corpo, noiva e todas aquelas vívidas imagens e realidades sobre ela que encontramos no Novo Testamento, por exemplo. Desclesiologizar tem a ver com o devido valor relativo que devemos dar às nossas tradicionais denominacionais e locais, bem como a desapego a fazer somente o que gosto e porque gosto, só quando gosto. Significa também voltar a valorizar mais o organismo vivo do que a organização petrificada, valorizar mais as pessoas do que as estruturas, valorizar mais os relacionamentos pessoais marcados pela caridade do que as programações dos muitos departamentos. Resta evidente dizer que, não estou afirmando que as nossas tradições, nem as nossas preferências, muito menos a organização e as estruturas são coisas ruins em si mesmas, longe disso. Essas realidades podem  fornecer o devido molde onde a vida da igreja se realiza e subsiste, todavia, não podem ser o motivo e nem a vida da Igreja. Uma Reforma da Igreja partirá sempre do mesmo ponto: avaliar todas a vida e prática da comunidade à luz da Palavra de Deus. E devemos começar pela vida dos líderes da Igreja, de maneira especial os que se dedicam ao ensino e a pregação e aqueles que foram levantados para cura pastoral no que diz respeito a ordem e a disciplina no rebanho, falo dos Presbíteros docentes (Os pastores, Ministros da Palavra) e os Presbíteros regentes, que popularmente chamamos de ‘Conselho’. Devemos avaliar com amor e piedosamente a vida desses irmãos preciosos, mas devemos fazê-lo sem embaraços ou constrangimentos, pois a saúde do rebanho depende e muito, da saúde doutrinal, moral e espiritual desses líderes. Essa avaliação, sempre à luz das Escrituras e nunca passando de seus limites, além daqueles princípios gerais que encontramos em Timóteo, Tito e Pedro para ficar no lugar comum devemos levar em conta  a participação deles na dinâmica da vida da Igreja, o seu compromisso pessoal com a evangelização, o seu interesse pelo progresso espiritual do rebanho e seu apego inflexível às doutrinas da graça e aos padrões confessionais. Também, a Reforma deve atingir o culto comunitário. Não podemos permitir que o culto se pareça, na melhor das situações, ou se transforme, no pior cenário, em ocasião de entretenimento, um evento social horizontal pensado nos adoradores. Uma Reforma do culto deve valorizar os aspectos sobrenaturais, reverentes, solenes e transcendentes do encontro de Deus com pecadores redimidos para manifestar-lhes a sua glória. Um último aspecto a ser tratado nessa pastoral que, claro, nem de longe esgota o assunto, é a presença profética da Igreja no contexto onde está plantada. Não podemos nos contentar como uma espécie de arca de Noé em meio a um mundo que está submergindo no caos. Não podemos sentir-nos seguros e protegidos como em uma cidade-refúgio. A Igreja antes de tudo é um lugar de treinamento e envio missionário contínuos exatamente para o mundo, para onde deve levar o Evangelho comprometido com a justiça, a solidariedade, a verdade e o amor que identificam as marcas do Reino definitivo. E isso, em forma de ministérios e serviços criativos e inseridos nos dramas e nas dores desse mundo, como sinal da esperança e a apresentação concreta do amor de Cristo que desde agora, desde o trono, está fazendo novas todas as coisas (Ap 21.5). Estamos em Reforma!

 

Reverendo Luiz Fernando é Ministro da Palavra na Igreja Presbiteriana Central de Itapira

 



Fonte: Luiz Santos

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