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Itapira, 23 de Outubro de 2019 -
18/09/2019
Luiz Santos: Espiritualidade (2)

Em meu último artigo escrevi sobre dois aspectos essenciais à vida espiritual, a oração e a leitura e meditação na Palavra de Deus. Terminei aquele artigo afirmando que tanto a oração quanto a leitura dependem da assistência do Espírito Santo. Hoje desejo falar a respeito do papel do Espírito Santo no cultivo da espiritualidade, bem como a relação que os cristãos devem manter com Ele. Todos os nascidos de novo recebem o Espírito Santo no dia da sua conversão. Depois de realizar a obra de produzir fé, regenerar, justificar, santificar e adotar (esse é um esquema meramente didático e inferido o quanto possível das Sagradas Escrituras), esse Espírito sela o novo filho de Deus. Essa selagem possui grande verdade e significado espiritual. 1. Significa posse ou propriedade pessoal e exclusiva, é a marca daquele que possui totais direitos de posse e uso; 2. Significa lacre de inviolabilidade. Não pode ser retirado o conteúdo que tem no interior, é vedado a quem quer que seja o acesso daquilo que foi depositado no coração do novo crente. 3. Significa proteção, que o regenerado, justificado, santificado e adotado, também será preservado assim até a glorificação no mundo vindouro. E isso já é glorioso para o cristão. Mas, não para aí. O Espírito Santo como um ser pessoal e inteligente mantém viva e constante comunicação com a alma que o hospeda. Ele ilumina a mente para que o cristão acesse mais perfeitamente a verdade. Aviva as forças da memória para que a recordação dos grandes feitos de Deus e as palavras de Jesus estejam sempre presentes aos discípulos. Ele empodera e capacita o desejo humano para que anele e efetivamente busque fazer a vontade do Senhor. O Espírito Santo equipa o crente com dons e os ‘energiza’ a fim de que se desenvolvam e atuem com eficácia. E evidente, o Espírito consola, conforta, anima, dirige e admoesta, inclusive chega mesmo a proibir o cristão de dar passos na vida, ainda que aos olhos de todos pareça ser algo tão bom que glorificasse a Deus, exemplo clássico: “Paulo e seus companheiros viajaram pela região da Frígia e da Galácia, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na província da Ásia. Quando chegaram à fronteira da Mísia, tentaram entrar na Bitínia, mas o Espírito de Jesus os impediu. Então, contornaram a Mísia e desceram a Trôade. Durante a noite Paulo teve uma visão, na qual um homem da Macedônia estava em pé e lhe suplicava: Passe à Macedônia e ajude-nos" (At 16.6-9). No que diz respeito as nossas orações, o Espírito Santo atua também em nosso socorro, sendo tão limitados, nem mesmo sabemos orar de modo a agradar ao Pai. O Espírito não só nos ‘inspira’ o que e como dizer, mas também leva a nossa vontade a unir-se com a do Senhor de modo a sermos contentados qualquer que seja a resposta dada aos nossos insistentes rogos. Também é papel do Espírito Santo refinar e ressignificar a nossa comunicação com o Altíssimo, recheada  de ruídos e traduzir os nossos gemidos quando as palavras nos faltarem. Quando lemos as Escrituras o Espírito Santo ilumina tanto o texto quanto a nossa inteligência. Joga luz sobre o que Deus está dizendo nas palavras autografadas e aplica com graça e poder o seu significado real, profundo e transformador em nossa alma. É o Espírito Santo que dá real funcionalidade e proveito para o exegeta, o erudito e eloquência para o pregador mais aclamado. E mesmo o mais deslustrado crente não sofre prejuízos fatais, se quando lê a Bíblia e escuta a pregação está docilmente submetido à influência desse poder. Contudo, o crente não é sempre passivo à presença desse ilustríssimo hóspede de nossa alma. De nossa parte também deve haver consciente e verdadeira interação. Esse Espírito pode entristecer-se dentro de nós, pode inclusive apagar, isso é, não fazer sentir a sua calorosa e iluminadora presença. Para que Ele, “não se retire”, devemos tratá-lo bem; e como seria isso possível? Tudo o que o Espírito Santo deseja é ver o Pai sendo glorificado e recebendo toda a adoração e Jesus Cristo reinando absoluto e exercendo seu senhorio nos corações crentes. O Pai, nós o sabemos pelas Escrituras que é glorificado mediante as nossas Boas Obras. Os créditos são inteiramente dele. Jesus reina e exerce senhorio por meio da pregação e obediência ao Evangelho, o serviço amoroso aos pobres e a santidade de vida. Tudo isso acontece quando o fruto do Espírito é cultivado, nos enchemos d’Ele por uma vida santa e mantemos comunhão uns com os outros. Onde está o Espírito, aí há a vida, a comunhão, a verdade e o amor.

Reverendo Luiz Fernando é Ministro da Palavra e dos Sacramentos na Igreja Presbiteriana Central de Itapira



Fonte: Luiz Santos

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