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Itapira, 05 de Dezembro de 2019 -
10/09/2019
Luiz Santos: Espiritualidade (I)

Espiritualidade é uma palavra que está na moda. Todos a usam para descrever um estado de espírito ou de humor. Também se fala de espiritualidade como técnicas ou disciplinas corporais, mentais, dietéticas, sensoriais que ajudem a espiritualizar a vida, prometendo ao homem uma renovada carga de energia para sublimar ou transcender os desafios e as limitações do dia a dia. Talvez a mais nova roupagem de espiritualidade tenha a ver com o ‘Coaching’, um tipo de busca ou despertamento dos potenciais que estariam ‘escondidos’ ou seriam ignorados. Uma vez acessados através de técnicas de concentração, meditação, imposição de metas e até repetições de certas frases como mantras, o sujeito chegaria ao sucesso, a plena realização de seus objetivos e por isso mesmo à felicidade. Não quero ser desonesto ou desonroso para com os profissionais dessa área. Penso sinceramente que tenham muito a contribuir para um melhor desempenho de muitos em suas respectivas ocupações. Mas, isto está longe de dar ao homem o senso de plenitude e felicidade. A espiritualidade e sobretudo a espiritualidade cristã é outra coisa muito distinta das técnicas e disciplinas corporais, sensoriais, mentais e etc., bem como o ‘Coaching’. Para ser sadia a espiritualidade precisa ser um ‘habitus’, uma coisa que acontece naturalmente e que faça parte integral do cotidiano. É uma realidade tão essencial quanto respirar, alimentar-se ou ter um tempo de sono adequado e suficiente. Ter vida ‘espiritual’ no sentido cristão, e por isso mesmo bíblico, é ter a vida centrada nos essenciais da fé e na busca de viver esses essenciais sempre com maior desejo e encontrar neles sempre maior satisfação. A primeira e mais fundamental realidade de uma espiritualidade autêntica é o cultivo da amizade com Deus por meio da oração. Amizade que deve ser cultivada em termos de companheirismo, isto é, o desejo de estar na companhia, na presença, na proximidade e intimidade de Deus. Orar é mais que falar coisas e pedir coisas. Isso também faz parte do que seja orar, mas sobretudo, orar significa ter consciência da presença do Senhor e na sua face, viver a nossa vida sem máscaras, sem papéis ensaiados e encenados, sem ‘escondimentos’. É deixar-se interpelar por Deus na mesma medida em que desejamos conhecê-lo, então, a oração se torna um diálogo entre amigos. Entretanto, como em todo diálogo, há um momento que precisamos fazer silêncio respeitoso e atento para ouvir o que o outro nos tem a dizer. É nessa hora que a leitura devota, proveitosa e inteligente da Bíblia entra em nossa vida espiritual. Como seres racionais que se relacionam, o diálogo precisa ser inteligível e objetivo. Não podemos ficar reféns de nossas intuições, de nossas experiências sensoriais, confiando em nossos sentimentos sobre o que Deus está nos dizendo. Podemos cair na armadilha de nossas projeções e de nossos instintos egoístas. Por isso, lendo a Bíblia descobrimos qual seja a vontade de Deus a nosso respeito, sempre boa, perfeita e agradável. Descobrimos também qual o modo mais adequado em obedecê-la de maneira amorosa a fim de agradar tão sublime amigo. Toda espiritualidade para ser fecunda depende desse desejo irrenunciável de conhecer a vontade de Deus nas Escrituras. Contudo, se as práticas da oração e das Escrituras marcam o início de nossa formação espiritual, elas dependem inteiramente da assistência luminosa do Espírito Santo, assunto do nosso próximo artigo.

Reverendo Luiz Fernando é Ministro da Palavra e dos Sacramentos da Igreja Presbiteriana Central de Itapira



Fonte: Luiz Santos

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