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Itapira, 23 de Outubro de 2019 -
20/08/2019
Luiz Santos: A Missão Nossa de Cada Dia – Continuação

Em meu último artigo, de mesmo título, escrevi que a Missão não é alguma coisa que nasce grandiosa e repleta de atos heroicos. Absolutamente. A Missão tem início no fiel cumprimento dos deveres domésticos, nos relacionamentos familiares e não raras vezes de maneira sacrificial e sem muitos avanços aparentes e, nesse caso, é preciso resistir e perseverar como forma de um martírio lento e incruento, isto é, sem o derramamento de sangue, mas pelo gastar a vida. Depois, falei que essa Missão doméstica se expande um pouco mais, ultrapassa os umbrais das nossas casas e chega aos nossos vizinhos, esses também, alvos de nossa atenção, cuidado e testemunho de Cristo Jesus. Hoje quero alargar um pouco mais os limites do nosso campo missionário de todos os dias. O mundo do trabalho, mas podemos incluir aqui também o ambiente escolar e universitário para as crianças, adolescentes e jovens, pois todos somos chamados a serviço do Rei. Nesses ambientes a Missão começa onde tem início todas as coisas mais importantes do Evangelho, Cristo! Isto significa dizer que o que deve nos motivar  intencionalmente a um procedimento que se configure em Missão é justamente o que Paulo ensina sobre as relações entre patrões e empregados:  “Senhores, deem aos seus escravos o que é justo e direito, sabendo que vocês também têm um Senhor no céu” (Cl 4.1) e ainda: “Escravos, obedeçam em tudo a seus senhores terrenos, não somente para agradar os homens quando eles estão observando, mas com sinceridade de coração, pelo fato de vocês temerem ao Senhor. Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo” (Cl 3.22-24). Evidente que devemos fazer a devida “ponte hermenêutica” contextualizar o ensino geral desse texto em nosso mundo tão diferente. O que Paulo está dizendo é sobre a motivação que deve conduzir a vida dos discípulos nesse contexto profissional: Os patrões devem se lembrar que também eles têm um Senhor no céu, o que significa que o poder, a autoridade e o respeito que merecem, vêm desse Senhor a quem deverão prestar contas. E a justiça, bem como o trato cheio de humanidade e cuidado para com os seus funcionários tem a ver com a gratidão devida a quem lhes concedeu essa condição e, por causa disso, dar um bom testemunho. Igualmente os empregados devem ser pontuais, assíduos, zelosos, competentes e honestos exatamente por sua devoção a Cristo que os leva a honrar o seu nome e o seu caráter precioso e santo, desenvolvendo a ‘vida nova da graça’ também em sua condição de empregado. O mundo do trabalho (bem como o escolar e acadêmico), oferece inúmeras e diversas oportunidades para o serviço, o testemunho e o anúncio de Cristo. Os nossos companheiros e amigos de faina diária sofrem as venturas e desventuras comuns a todos os homens. Haverá sempre alguém alegre com quem devemos tomar parte na alegria e ensinar-lhes a serem gratos à fonte de todo bem. Haverá sempre alguém triste a quem poderemos consolar com as palavras da esperança do Evangelho da vida. Haverá sempre alguém desorientado e confuso a quem teremos a oportunidade de indicar O Caminho, A Verdade e A Vida. Não há espaço para cristãos invisíveis ou disfarçados como se estivessem em uma missão secreta e, por isso mesmo, devessem ficar no anonimato. Não! Nossa missão é: “para que venham a tornar-se puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo” (Fp 2.15). Se nesses três ambientes, em casa, na vizinhança (amigos e conhecidos em geral) e no ambiente profissional (inclua-se escola e universidade), formos bem sucedidos em viver e proclamar o Evangelho, os confins na terra não estarão tão distantes de nós e nem será tão difícil assim de serem alcançados.

Rev. Luiz Fernando Dos Santos é Ministro da Palavra e dos Sacramentos na Igreja Presbiteriana Central de Itapira



Fonte: Luiz Santos

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